Eis que se faça a minha sentença
Através do fino paladar da dor
Que oscula em minha língua com todo seu vigor
O gosto azedo contrário ao princípio de toda existência!
É por ver beleza na tristeza
Que alguns me tomam por louco
Meu grito - este sim - sempre rouco
Carrega na voz o peso pálido de minha natureza
Mas não, não soluce se parto (...) Parto pois é chegada a minha hora
E não, não diga que sentes (...) Eu mesmo nada sentirei depois de morto
Cumpro a pena capital, que não perdoa nem o fraco nem o forte
Vês o coveiro? Este nunca chora
Já se acostumou ao nocaute do corpo
Frente a irremediável vivência da Morte!