Peço a palavra
Me sinto dopado
Escrevo de muito longe de casa
E minha sorte desperta faro de urubu quando joga os dados
Permita me apresentar
Sou o corpo que dói na mente ausente
De peito aberto sob a linha do velho tear,
Sou o espírito livre preso a essas correntes
Arrasta-te, pois, fecunda noite
Já encobristes por completo o dia!
Fez de mim teu vigia em pernoite
Aliciando o caos na mais perfeita harmonia
Tendo visto se pôr em arrebóis
A esperança outrora nascente
Hoje me guardo escuro por entre os faróis
Preservando o que restou de minha loucura fulgente!